“Blade Runner” em Blu-ray com resolução 4K antes da chegada do novo filme

A quintessência da ficção científica!

Máquina de Escrever

Uma nova edição em Blu-ray do clássico de 1982 Blade Runner: Perigo Iminente, de Ridley Scott, vai chegar ao mercado antes da estreia em sala do muito aguardado Blade Runner 2049, de Dennis Villeneuve, agendada para 6 de outubro.

Esta nova edição apresenta o filme, na montagem que ficou conhecida como “The Final Cut”, numa nova transferência com resolução 4K e estará disponível a partir de dia 5 de setembro.

Podem ver aqui o trailer que acompanha esta nova edição:

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Sábado

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Hoje, sábado de agosto, fui andar pelo Pelourinho aproveitando a “FliPelô” que acontece em sua primeira edição, aqui, na cidade de Salvador, Bahia. Fui ver como é. Dei muita sorte. O clima como nunca, pouco frio, sem sol, brisa benfazeja, um convite para uma bela caminhada! Os casarões, as pessoas, as cores, os sons e muita, muita poesia. As mostras, quase sempre, ligadas ao mercado negreiro, chamam de história e, em algum comércio, até de arte. Imaginava eu o quanto ódio escondido atrás dos nomes, dos ídolos, das imitações da vida pelos tambores, nos cantos das fotografias, cheias de peitos e bundas, da pornografia como manifesto possível contra a ordem carola dos impérios. Ainda imperam sob o carnaval visível? Entendia eu o ódio. Entendia-lhe o amor de tanta dor. Da vida. Voltei de carona em um táxi. O motorista, seu Renato, setenta anos, por volta – contava-me sobre a sua percepção do mundo, dando a perspectiva que tinha de tempo, se dizendo pouco inteligente aquele sensato homem por detrás do voltante: “não enriquei quando era jovem e hoje a internet está acabando com esse negócio de táxi. Eu já me organizei, moço, vendi uma licença seis anos atrás, tinha duas, negócio bom naquele tempo, hoje não é mais, com esse negócio de Uber. Com o dinheiro comprei um lote em Dias D’ávila, to fazendo uma casinha boa e mudo no fim do ano. Que resta? Esperar a morte! Mulher não preciso, tenho a minha e ó, não preciso de nenhuma outra, quarenta anos juntos, que sorte eu tenho!” No final despedi-me com grande prazer. A bondade é sempre comovente. Sincero e bondoso, deu pra sentir. Fomos amigos “one way”, um desses momentos raros em que vemos pontos de luz brotarem das nuvens de um dia cinza, como um fecho.

O verbo

Circunscrito ao verbo

O movimento é ação

Um círculo de fogo

Chamado coração

 

Do distante ermo

Seguido seu percurso,

Um ponto em termo

Segue seu discurso

 

Ah, nada sossega

O que está vivo!

 

E basta um pingo.

 

Agora

Há uma suave visão sobre o distante

Que se anuncia no agora

Movimentando o que antes

Já se anunciava aurora

Ergue-se defronte dos olhos

As passagens úmidas

Orvalhos navegantes

Carregando, vigilantes

Ondas cinéticas

Impulsos vivos de minha quimera

Meus sonhos seguem

Paisagens, quisera

A tarde carmim

Cores, um manto

Cobrindo o jardim

De um e um tanto

E vai...

Até a gloriosa noite evoluir

Gigantes curvas feitas de chuva

Trazendo enfim o ruir

Por tantos vesgos

E ruas

 

Os sonhos

 

Às vezes em certa época do ano entra frio pela madrugada e torço que passe logo. Sinto minhas costas geladas. É confortável quando me agasalho, mas posso ouvir a dança da noite com o silêncio. Lá fora caem as estrelas. Os ventos cósmicos envolvem de mistério a vida. Um canto penetra a pálpebra e junto a uma pequena lágrima tenho os olhos cerrados a espera de um sonho.

Alice no país das maravilhas

 

Capítulo 6- Porco e Pimenta

Alice pergunta ao Gato de Cheshire, buscando sair da casa da Duquesa:

“(…)

“Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?”

“Depende bastante de para onde quer ir”, respondeu o Gato.

“Não me importa muito para onde”, disse Alice.

“Então, não importa que caminho tome”, disse o Gato.

“Contanto que eu chegue a algum lugar” Alice acrescentou à guisa de explicação.

“Oh, isso você certamente vai conseguir”, afirmou o Gato, “desde que ande o bastante.” (…) “

Rainer Maria Rilke

Lembro de ler, não sei onde, o seguinte: aprenda a guerra, para que seus filhos saibam a engenharia e os filhos de seus filhos a medicina e os filhos dos filhos de seus filhos sejam livres e aprendam a arte. Não conheço a genealogia de Rilke, mas sei que ele foi amante de uma que deve ter sido das mais formidável das mulheres, a russa Lou Andreas-Salomé, por quem Nietzsche também foi apaixonado e, apesar de jovem, trocava cartas com Freud. Mas foi Rilke quem a transformou em musa inspiradora e fez cama quente a mulher-poesia. Nitroglicerina pura, quando estava desarmado e o coração do lado de fora procurando abrigo (incauto e curioso), recebi um papel colorido em letra esmerada dizendo: “Ela traçou um círculo que me excluía / hermético, rebelde e objeto de escórneo  / Mas o amor e eu soubemos vencer / traçamos um círculo que a incluia.” Edwin Markhan. Cruel, viceral, a poesia é muito poderosa.

É de Rilke que falávamos:

“O destino não vem do exterior para o homem, ele emerge do próprio homem.”

“As obras de arte são de uma solidão infinita: nada pior do que a crítica para as abordar. Apenas o amor pode captá-las, conservá-las, ser justo em relação a elas.”

“Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade.”

“O amor é a ocasião única de amadurecer, de tomar forma, de nos tornarmos um mundo para o ser amado. É uma alta exigência, uma ambição sem limites, que faz daquele que ama um eleito solicitado pelos mais vastos horizontes.”

“Quem, se eu gritasse, em meio à legião de anjos, me ouviria?”

“Tudo quanto é velocidade não será mais do que passado, porque só aquilo que demora nos inicia.” (lindo!)

“Vivo a minha vida em círculos cada vez maiores / que se estendem sobre as coisas. / Talvez não possa acabar o último, / mas quero tentar.”

Diria, de atrevido, só mais uma coisa: a arte boa é viceral, como o livro que sangra.