Píncaro da glória, tarde bem azul…

O tempo que nos atravessa traz consigo os seus detritos. Ecos de outras vozes, a vontade captada pelas antenas do espírito que se alegra hoje, feliz, sagaz; ou sofre. Reverberações de antigas civilizações, sons trazidos de povos ou mesmo o tempo presente… Há o som do futuro conjunturando o tempo de agora. Conjurando, oh, Aurora! Onde estará o alimento que sustenta, o cobertor para o frio, a umidade contra este tempo seco do agosto do serrado goiano! Sim podemos enfraquecer quando somos atacados por um dos infortúnios trazidos pela passagem dos milésimos, dos minutos, dos anos e dos milênios, que dizer dos segundos! Consta que a humanidade tem duzentos mil anos e o Planeta, imagina, Luíza, tem cinco milhões e o Universo quinze milhões de mil anos. Mas também ficamos mais fortes, querida, ao menos até um certo ponto em que a curva de ascendência atinge seu píncaro. É esse o píncaro da glória? Depois desce, depois sobe, cumprindo o destino de ser eterno retorno, “caelos ad inferos”, a linha do horizonte conduzindo a égide do tempo e transformando molécula a molécula, galáxia a galáxia, coração a coração. Tens aqui, Amor, na minha mão o meu mapa, a minha escuridão; olha Luíza, olha com a luz e vê, que somos os passageiros desta linha… Somos nós que passamos e agora, sentimos, sentimo-nos… Então eleita e goza e olha e respeita, que te respeito e te sinto no meu peito, será você, será.. Amor? É fato que sinto, e sinto a toda hora, Tudo é fato (?), perdemo-nos no retrato e, no entanto, à revelia, é o coração que sente… De repente, é a gente… A gente. E toda esta gente que quer, querer demais, desejar demais, formar filas de desejos… O próximo, seu Antônio, deixa passar, não pára não, a fila que anda, a fila dos desejos, o bonde dos desejos, o próximo, aquele que quer ficar e sente sente que, afinal, é verbo infinitivo; se sei. Por fim, desculpa a enxurrada de palavras; aliás, descupa pedir descupas, que nem sei quem foi esse que inventou a culpa…  Queria estar e estou. Queria ficar, e ficou. Querer, também, é querer partir e querer chegar, é no coração, Luíza, onde a gente quer ficar.

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